Eletropostos: as novas usinas de investimento
Eletropostos: as novas usinas de investimento
Durante uma reunião hoje, ouvi de um profissional que admiro uma reflexão que me marcou: "os eletropostos são as novas usinas de investimento". A comparação fez todo sentido para mim, especialmente por já possuir usinas solares e ter investido recentemente em um eletroposto.
Todo negócio pode ser próspero ou problemático, dependendo de como é conduzido. Assim como há investidores lucrando significativamente com usinas arrendadas, também existem usinas descontratadas ou mal arrendadas que não entregam o retorno prometido. Mais preocupante ainda são aqueles que continuam investindo às cegas em usinas GD2, alguns sem sequer compreender a diferença entre GD1 e GD2.
No segmento de eletropostos, tenho observado que o negócio não se sustenta automaticamente. Similar às usinas solares - onde a construção é a parte mais simples - nos eletropostos, a compra e instalação dos carregadores são apenas o começo. O verdadeiro desafio - e onde o dinheiro é ganho ou perdido - está na gestão.
O foco absoluto dos eletropostos deve ser a interação entre o cliente e o carregador. Estamos falando de um autosserviço, onde a simplicidade e a confiabilidade da plataforma de cobrança e do carregador definem se o cliente volta ou não. A seleção do equipamento deve começar com um estudo detalhado de carga para determinar a potência que a infraestrutura existente comporta. Quando há flexibilidade na escolha, considero ideal a combinação de:
Carregadores DC de 60kW com duas saídas de 30kW para carga rápida;
Carregadores AC de 7 ou 22kW para veículos híbridos.
Os maiores usuários de recarga elétrica dentro de centros urbanos são os motoristas de aplicativo. É fundamental compreender suas necessidades específicas - como tempo de recarga otimizado, preços competitivos e localização estratégica - e desenvolver soluções integradas que agreguem valor real ao seu dia a dia. Essa abordagem centrada no cliente alvo resulta em maior taxa de ocupação dos carregadores, maximizando o retorno do investimento.
Adicionalmente, a instalação de totens digitais junto aos carregadores pode criar uma fonte de receita complementar através da venda de mídia patrocinada, aproveitando o tempo de permanência dos usuários durante o processo de recarga.
Quando me perguntam sobre meus planos para "escalar" meu negócio de eletropostos, sou sincera: minha preocupação não é ter dezenas de pontos, mas sim ter pontos que funcionem, que sejam rentáveis e que os clientes amem usar.
Este raciocínio replica a forma como conduzo a gestão das minhas usinas e as dos parceiros, que administro como se minhas fossem: gestão operacional rigorosa, atendimento de excelência aos associados e melhoria contínua na estruturação dos processos.
O crescimento só é válido quando é consequência natural de um negócio bem tocado. Não costumo focar no que eu quero ter um dia, mas em explorar o máximo para obter o melhor resultado do que eu tenho agora, hoje.
