O "jeitinho brasileiro" realmente funciona?
O "jeitinho brasileiro" realmente funciona?
Frequentemente me perguntam:
"Dinah, como você consegue resolver as coisas com as Distribuidoras de Energia? Você conhece alguém lá? Qual é o seu esquema?".
Meu segredo não é um "esquema", mas sim um método: conhecer, além das pessoas, os processos da distribuidora, as resoluções do setor e anotar os protocolos de todas as comunicações.
Por se tratar de um mercado regulado, existem instâncias superiores para a resolução de problemas. Aprendi com minhas amigas advogadas — a quem deixo um agradecimento especial — que um bom processo administrativo é a melhor defesa para um futuro processo judicial. Já ouvi relatos de clientes que, por se considerarem "importantes", tentaram cortar caminho e depois precisaram de ajuda legal, pois confiaram que alguém "lá de cima" resolveria tudo.
Quando a razão está do nosso lado, não tenho dúvidas de que o melhor caminho é o administrativo, sempre munido de embasamento regulatório. Mas e quando erramos? Seria o caso de "dar um jeitinho"?
No livro Execução, Ram Charan afirma que a forma como você alcança suas metas é tão importante quanto o próprio resultado. Se você passa por cima dos seus valores ou dos valores da empresa, a meta alcançada perde o sentido. Então, o que fazer quando o erro é nosso? Na minha opinião, o melhor caminho é assumir a responsabilidade, negociar a dívida (caso exista) e seguir em frente. Meu pai me ensinou:
"ninguém aprende nada de graça".
Qualquer outro atalho nos torna reféns de quem nos "ajudou" e/ou da nossa própria consciência. Em tempos de compliance, o ideal é substituir o caminho mais curto pelo mais consistente. Do "jeitinho brasileiro", que possamos preservar a alegria e a criatividade.
