Ter paz é mais importante do que ter saúde

"Ter paz é mais importante do que ter saúde."

Ouvi essa frase de um padre na missa do dia primeiro de janeiro, enquanto ele falava sobre os desejos para o novo ano. Desde então, tenho refletido sobre o peso dessas palavras.

Na ocasião, ele contou que visitou recentemente um conhecido tetraplégico que, por ter paz, transbordava serenidade. Em contrapartida, ele atende diariamente pessoas transbordando saúde, mas que vivem profundamente perturbadas.

Conversando com minha mãe sobre isso, ela lembrou de uma passagem de Eckhart Tolle que adoramos. Tolle descreve o impacto de olhar nos olhos do físico Stephen Hawking: mesmo limitado pela ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), havia uma paz imensa naquele olhar.

Isso me trouxe a memória da minha avó Dinah. No fim da vida, ela já não andava, tinha dificuldade para comer e dependia de cuidados constantes. Mesmo assim, sua casa vivia cheia. As pessoas eram atraídas pela energia boa que ela emanava, sempre bem-humorada e alegre. É curioso: eu sempre tive medo de "terminar como ela", dependente e em uma cadeira de rodas. Por isso, sempre cuidei tanto da minha saúde. Mas agora percebo que existe algo muito mais importante com que me preocupar.

De onde vem essa paz? O caminho para a paz não parece ser algo tão pragmático quanto "comer bem e exercitar-se". Comecei a observar o que me tira a paz, para início de conversa. Percebi que um dos maiores ladrões do nosso sossego é a desorganização. Não falo de gavetas bagunçadas, mas do caos interior. É difícil encontrar paz no desalinho da alma. É preciso silenciar, olhar para dentro e ir colocando as coisas no lugar — ter consciência do porquê fazemos o que fazemos e qual o propósito de tudo isso.

Meu pai costuma dizer que, se quisermos enlouquecer, basta começar a pensar no que acontece depois da morte. É, de fato, o tema mais perturbador e, ao mesmo tempo, nossa única certeza. A religião e a fé na ressurreição aliviam esse peso, mas só falar sobre fé não basta. É preciso cultivá-la, senti-la e buscá-la ativamente.

Ontem, no último domingo do Tempo de Natal, celebramos o Batismo do Senhor. Encerro este texto com a música que cantamos enquanto o padre nos abençoava, desejando que, muito além de um corpo são, você encontre a paz verdadeira em 2026:

“Banhados em Cristo, Somos uma nova criatura. As coisas antigas já se passaram, Somos nascidos de novo!”

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